segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

MEDITAÇÃO CRISTÃ



"Meditação não é uma questão de conversar com Deus, mas de ouvi-Lo, ou estar com Ele."

Através dos séculos, a meditação sempre esteve presente na vida de vários cristãos.
Os Essênios e sua ênfase no silêncio;
Jesus e a prática do ‘Pai Nosso’;
A meditação presente em textos do cristianismo primitivo e em apócrifos de Nag Hammadi;
As práticas meditativas dos ‘monges do deserto’ (Egito);
Reflexões e experiências de místicos da Idade Média e Moderna;
Teresa D’Ávila e seus ensinamentos sobre os estágios na prática da meditação;
Praticantes cristãos atuais, suas instruções sobre meditação e seu valor.

A meditação segundo cristãos John Main em "Meditação Cristã":
“A meditação é um processo de libertação; temos de libertar estas verdades em nossa vida, e parece-me que muitas vezes nós, cristãos, temos vivido somente numa base meramente proposicional. E o resultado do contexto de nossas respostas a Deus tem sido incompleto, muito estreitamente racional, um mero compêndio de credos e fórmulas. Mas, na oração meditativa, nós nos preparamos para a experiência plena da presença pessoal de Jesus em nós, sendo este ‘pleroma’ a presença pessoal do Pai, do Filho e do Espírito Santo, a vida total da Santíssima Trindade vivida em toda a sua forma em nós.

“Ora, é precisamente esta proposta que devemos libertar em nosso coração: liberta-la de sua forma meramente teológica e retórica, de maneira que possa viver, enriquecer e transformar nossa vida no que, nas palavras de Pedro, é “o centro mais recôndito de nosso ser” (1Pd 3,4). Assim, a meditação é também um processo de aprendizagem. É o processo de aprender a prestar atenção, a concentrar-se. É preciso atender (‘prestar atenção’ e ‘esperar’). Temos todos que aprender esta única lição fundamental, se quisermos descobrir a riqueza plena de nossa fé cristã, a riqueza de nossa íntima união, do nosso comprometimento com Jesus, o Cristo.

“Na meditação procuramos conviver com as verdades na prática, ou talvez, mais exatamente, procuramos viver essas verdades. A oração meditativa não é um exercício intelectual, no qual refletimos sobre proposições teológicas. Na meditação, não pensamos em Deus, nem em seu Filho Jesus, nem no Espírito Santo. Na meditação procuramos fazer algo imensuravelmente maior: procuramos estar com Deus, estar com Jesus, e estar com o seu Espírito Santo; e não apenas pensar neles.”

“Nosso objetivo, na oração cristã, é permitir que a presença misteriosa e silenciosa de Deus em nós se torne, cada vez mais, não somente uma realidade, mas a realidade que dá sentido, forma e motivação a tudo que fazemos, a tudo que somos. E, assim, a oração não é o momento para palavras, ainda que belas e sinceramente expressas. Todas as nossas palavras são inteiramente ineficazes quando entramos em comunhão misteriosa com Deus, cuja Palavra está antes e depois de quaisquer outras palavras.”


“Existe um verdadeiro perigo para todos os homens de viver nossa vida voltados para proposições em lugar de aprofundar nossa atenção, de estarmos despertos para apreender e nos comprometermos com a verdade viva que nos torne autênticos. Há um perigo ... de nos tornarmos facilmente presunçosos e satisfeitos com nós mesmos, autocomplacentes ao repetirmos nossas fórmulas e credos. E o resultado dessa intelectualização excessiva de nossa vida é que, em mitos casos, tornamo-nos apenas pessoas semivivas (estamos semimortos).”

“Devemos conseguir estabelecer um estado de não-distração, um estado de atenção plena e concentração. Isto significa um estado de vigilância de estar desperto ... chegar a essa quietude vigilante.
“Laurence Freeman: D. John Main considerava urgente a necessidade de redescobrir e recuperar, como tradição viva, o grande ensinamento da meditação cristã que nos foi legado pelos monges e eremitas os "Pais do Deserto", que habitavam as regiões desérticas da Síria e Egito, a partir do século quarto. Transmitida ao ocidente pelo monge das Gálias, João Cassiano, essa tradição perpassa toda a Regra de São Bento.”

Teresa D’Ávila em "Caminho de Perfeição:
“Tratando-se de meditação, seria possível falar e aconselhar que todos a façam, mesmo sem ter virtudes. A meditação é meio para alcançar todas elas. Começar a meditar, para nós, cristãos, é questão de vida ou morte. Ninguém, por perdido que esteja, deve deixar a meditação, quando Deus o convida a tão grande bem.”

“Contemplação, é outra coisa ... se quereis que vos ensine o caminho para chegardes à contemplação, deixai que me estenda um pouco sobre certas virtudes ... Quem não quiser praticar as virtudes nem ouvir falar delas, fique com sua oração mental o resto da vida. ... sem as virtudes, não chegareis à verdadeira contemplação. Garanto que não virá o rei da Glória à nossa alma, digo, para permanecer unido a ela , se não nos esforçarmos por adquirir as grandes virtudes.”

“Passei mais de catorze anos sem conseguir nem mesmo meditação, a não ser mediante alguma leitura.” A verdadeira humildade é muito necessária. Também estar disposto a fazer todo e qualquer ofício que seja necessário. “Não digo que não vos esforceis para chegar à contemplação, e sim que vos exerciteis em tudo.” “Para inteligências ordenadas e almas exercitadas na prática da meditação, que podem concentrar-se, há obras excelentes escritas por pessoas de valor.” É bom estar acostumado a este método de oração.

“Estou certa de que não faltará esta água viva a quem não se deixar ficar no caminho. ... O Senhor nos dê sua graça para a buscarmos, como deve ser buscada.” “... quem começa a trilhar o caminho da oração, ... quanto mais longe tiver ido, mais luz terá. ... Vossa oração há de visar o bem das almas.”

“Pareceu-me conveniente tomar por base o Pai Nosso, para explicar uns princípios. ... Dirijo-me particularmente às almas incapazes de se recolherem na meditação dos Mistérios. Chego-me a este Mestre de Sabedoria para que me ensine alguma consideração que vos satisfaça.”
“Nunca permitais, Senhor, que se tenha por lícito alguém se entreter convosco e vos falar só com os lábios. Que é isto, cristãos? Direis que não é necessária a oração mental? Os que assim falam não sabem o que dizem.” “Primeiramente pensarmos quem é aquele com quem vamos falar ... A um príncipe não se fala sem cerimônia...” Justo é procurar conhecer quem ele é e qual a sua pureza e magestade.” “Não faleis com Deus pensando em outras coisas. ... praza ao senhor a prática.

“É importantíssimo começar o caminho da oração com grande determinação.” “Quando rezais é justo entender o que dizeis.” “Enquanto repetimos o Pai Nosso, Deus nos livre de não nos lembrarmos freqüentemente do mestre que nos ensinou esta oração.“A primeira coisa que nos ensina Sua Majestade é que a alma se recolha a sós, na solidão. ... é intolerável falar ao mesmo tempo a deus e ao mundo. É o que fazemos quando estamos a rezar e a escutar, por outro lado, o que se fala em torno de nós, ou a pensar o que nos vem à cabeça, sem domínio de nós mesmos.” “Nunca o mestre fica tão longe do discípulo que seja necessário gritar. Fica pertinho. Quero que vos compenetreis desta verdade. Para rezar bem o Pai Nosso, é conveniente não vos apartardes de junto do Mestre que vo-lo ensina.”

“Direis que isto já é meditação, que não podeis rezar senão vocalmente. Há pessoas impacientes, amigas de suas comodidades e que, por falar de costume, tendo de lutar no princípio para recolher o pensamento, dizem logo que são incapazes ... É só porque não querem esforçar-se um pouquinho. Dizei bem: já é oração mental. ... se pretendemos rezar conscientemente e entender com quem falamos, não sei como é possível separar oração mental da vocal.” “... o melhor remédio que encontrei para as distrações, foi procurar manter o pensamento unido àquele a quem se dirigem as palavras. Tende paciência e acostumai-vos a esta prática tão necessária.”

“A alma entende que o Mestre divino a está ensinando sem ruído de palavras. Sua majestade suspende-lhe a atividade do intelecto, da vontade e da memória, que, então, mais dano lhe causariam que proveito, enquanto gozam sem entender como o fazem. Abrasa-se a alma em amor, e não entende como ama. Sente que se deleita no objeto de seu amor, e não sabe como isso sucede. Compreende que o seu intelecto jamais conceberia ou desejaria tanto bem. Afervora-se a vontade, sem compreender de que modo. Se lhe é dado entender alguma coisa, vê que semelhante bem não pode ser merecido neste mundo, ainda a troco de todos os sofrimentos reunidos. ...

“Recolher o pensamento num ponto sem distrações, acostumai-vos! ... sei que o podeis fazer! Também eu passei longos anos por essa dificuldade de não conseguir prender o pensamento numa coisa. Na verdade, sei que é difícil. ... Torno a afirmar: é bem possível adquirir este costume e, mediante algum esforço, viver na companhia deste verdadeiro Mestre.”

“Não vos peço agora que vos concentreis nele formando muitos conceitos, nem façais com a mente altas e delicadas considerações. Só vos peço que o olheis ainda que de relance.”
“A falta de trato com uma pessoa causa estranheza e embaraço, nem se sabe falar com ela.” “Servir-se de um bom livro também é de grande auxílio para recolher as idéias e rezar bem as orações vocais. Com agrados e artifícios vai-se acostumando a alma aos pouquinhos para a meditação, sem se amedrontar.” Recitar a oração. “Por baixinho que fale, está ele [Deus] tão perto que sempre nos ouvirá. Para ir buscá-lo não precisa de asas: basta pôr-se em solidão e olha-lo dentro de si mesma.”


“Na oração de recolhimento ... recolhe a alma todas as suas faculdades e entra dentro de si mesma com seu Deus.”
“Quem desta maneira puder encerrar-se nesse pequeno céu de sua alma, ... acostuma-se a não olhar coisa alguma que distraia. Não permaneça em lugar onde se possam dissipar os sentidos exteriores. ... recolhem-se os sentidos dentro de si mesmas. Quando o recolhimento é verdadeiro, sincero, percebe-se mui claramente. ... É deixar de lado todas as coisas exteriores, delas retirando os sentidos ... Quem vai por este caminho, quase sempre tem os olhos fechados quando reza.”

"Cumpre desapegarmo-nos de tudo para nos aproximarmos interiormente de Deus. ... não há necessidade de gritar nem falar. ... Não haverá necessidade de dizermos muitas vezes o Pai Nosso para sermos atendidas. Logo ao primeiro ele nos ouvirá ... se estivermos compenetradas de sua presença ...”

“O costume de recolher-me dentro de mim mesma tem-me trazido tantas vantagens ... Procure adquirir pouco a pouco o domínio de si mesma. ... Se puder pense nele muitas vezes ao longo do dia. ... Depois que o Senhor lhe der esta graça, não a trocará por tesouro algum. Nada se aprende sem um pouco de trabalho.”

O que é a oração da quietude.


“Esta oração é já coisa sobrenatural. ... É um pôr-se a alma em paz ... A vontade, o intelecto e a memória, isto é, as faculdades sossegam. A alma sabe que está junto de seu Deus, e o conhece de um modo muito mais claro do que pelo conhecimento que lhe vem pelos sentidos exteriores. Um pouquinho mais e, por união, será uma só coisa com ele.” “Os que recebem esta graça não desejariam mover o corpo, temendo perder aquela paz em que se vêem. Não ousam mexer-se.” Freqüentemente vos vereis às voltas com o intelecto e a memória, sem poder ... sujeita-los. Acontece estar a alma numa profunda quietude, e, por outro lado, andar o intelecto tão no ar, tão distraído ... o intelecto não tem jeito nem gosto de ficar parado, quieto. ... quando a vontade se vir imersa nessa quietude, não faça mais caso do intelecto que de um louco. Se o quiser atrair, forçosamente há de se distrair ou inquietar de algum modo.” O Pai Nosso (Mt 6:6-10):


“Quando orares, entra em tua câmara interior, fecha a porta e ora a teu Pai que está no segredo; e teu Pai que vê no segredo, te recompensará abertamente.“Porém, quando orares, não uses de vãs repetições como o fazem os pagãos: pois eles pensam que por muito falarem deverão ser ouvidos. Portanto, não sejas como eles, pois teu Pai sabe das coisas de que necessitas, antes mesmo que Lhe solicites.

“Depois disso, então, ora assim:“Pai nosso que estás nos céus,“santificado seja teu nome.“Venha o teu reino.“Tua vontade seja feita na terra como ela é nos céus.”

Sugestão:

Sente-se ereto e quieto.

Feche seus olhos levemente.

Fique sentado relaxado.

Silenciosamente e interiormente, comece a dizer uma oração de uma única palavra.

Recomendamos a palavra oração "Maranatha".

Não pense ou imagine algo, mesmo que seja espiritual. Se vierem pensamentos ou imagens, são distrações no tempo da meditação, e então volte apenas a dizer a sua palavra. Medite cada manhã e cada noite por cerca de vinte a trinta minutos.

O uso da palavra "Maranatha". É uma das mais antigas palavras-oração na tradição cristã. Ela se encontra ao final da primeira carta de São Paulo aos Coríntios, assim como ao final do Apocalipse de São João. É uma palavra aramaica, a língua que o Mestre Jesus, o Cristo falava, e significa "Vem, Senhor. Vem, Senhor Jesus" ou "O Senhor vem". Entretanto, no tempo de meditação você não deverá pensar no significado da palavra, isto seria uma distração. Se quaisquer pensamentos disputarem sua atenção, simplesmente retorne à recitação simples e fiel da palavra: Ma-ra-na-tha.

Meditação também é exercício e disciplina, é comum não conseguirmos resultados perceptíveis imediatos, mas com a perseverança começamos a observar o progresso.

Boa meditação!!!

domingo, 6 de dezembro de 2009

No Túmulo de Christian Rosenkreut



I
Quando, despertos deste sono, a vida,
Soubermos o que somos, e o que foi
Essa queda até corpo, essa descida
Até à noite que nos a Alma obstrui,

Conheceremos pois toda a escondida
Verdade do que é tudo que há ou flui?
Não: nem na Alma livre é conhecida…
Nem Deus, que nos criou, em Si a inclui

Deus é o Homem de outro Deus maior:
Adam Supremo, também teve Queda;
Também, como foi nosso Criador,
Foi criado, e a Verdade lhe morreu…
De Além o Abismo, Sprito Seu, Lha veda;
Aquém não há no Mundo, Corpo Seu.

II
Mas antes era o Verbo, aqui perdido
Quando a Infinita Luz, já apagada,
Do Caos, chão do Ser, foi levantada
Em Sombra, e o Verbo ausente escurecido.

Mas se a Alma sente a sua forma errada,
Em si que é Sombra, vê enfim luzido
O Verbo deste Mundo, humano e ungido,
Rosa Perfeita, em Deus crucificada.

Então, senhores do limiar dos Céus,
Podemos ir buscar além de Deus
O Segredo do Mestre e o Bem profundo;
Não só de aqui, mas já de nós, despertos,
No sangue actual de Cristo enfim libertos
Do a Deus que morre a geração do Mundo.

III
Ah, mas aqui, onde irreais erramos,
Dormimos o que somos, e a verdade,
Inda que enfim em sonhos a vejamos,
Vemo-la, porque em sonho, em falsidade.

Sombras buscando corpos, se os achamos
Como sentir a sua realidade?
Com mãos de sombra, Sombras, que tocamos?
Nosso toque é ausência e vacuidade.

Quem desta Alma fechada nos liberta?
Sem ver, ouvimos para além da sala
De ser: mas como, aqui, a porta aberta?
…………………………………
Calmo na falsa morte a nós exposto,
O Livro ocluso contra o peito posto,
Nosso Pai Rosaecruz conhece e cala.”



Fernando Pessoa

quinta-feira, 5 de novembro de 2009



Busquei o amor em muitas vidas.

Para saber o que é o amor, derramei as lágrimas mais amargas de separação e de arrependimento.

Sacrifiquei tudo, todo apego e toda ilusão, para compreender, afinal, que estou apaixonado
pelo Amor - por Deus - apenas.
Então, bebi o amor de todos os corações sinceros.

Vi que Ele é o Único Amante Cósmico, a Única Fragrância que,
no jardim da vida, permeia as variadas flores do amor.

Muitas almas se perguntam, numa atitude triste e desamparada, por que o amor foge de um coração para outro.

As almas despertas percebem que o coração não é volúvel quando ama seres diferentes, mas ama o Deus-Amor único, presente em todos os corações.

O Senhor sempre vos sussurra em silêncio:


Eu Sou o Amor.


Porém, a fim de experimentar o ato de amar e a dádiva do amor, dividi-Me em três: o amor, o amante e o amado.

Meu amor é belo, puro, eternamente jubiloso; e Eu saboreio de muitas maneiras, por meio de muitas formas.

Como pai, bebo o amor reverente do manancial do coração de meu filho.

Em forma de mãe, bebo o néctar do amor incondicional do cálice da alma de meu bebezinho.

Na criança, absorvo o amor protetor da razão justa do pai.

Como infante, bebo o amor imotivado no santo graal de materna atração.

Patrão, bebo o amor cheio de consideração que vem do frasco da amabilidade do servidor.

Como servidor, sorvo o amor respeitoso no copo do apreço do patrão.

Na forma de guru-preceptor, desfruto do mais puro amor, proveniente do cálice da devoção do discípulo em entrega total.

Na forma de amigo, bebo dos mananciais borbulhantes do amor espontâneo.

Como amigo divino bebo, a grandes sorvos, as águas cristalinas do amor cósmico, provenientes do reservatório dos corações que adoram a Deus.

Estou apaixonado somente pelo Amor, mas permito-Me ser iludido quando, como pai ou mãe, apenas penso no filho e Me compadeço dele; quando, como amante, só me preocupo com a pessoa amada; quando, como servo, vivo apenas para o patrão.

Todavia, porque amo somente o Amor, destruo, por fim, esta ilusão das Minhas miríades de Eus humanos.


Trechos do escrito "O Vinho Onírico do Amor", por Paramahansa Yogananda na década de 1930.


segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Não Sou Mestre de Ninguém




Não sou mestre de ninguém.
Ninguém é discípulo meu.
Sou como a flecha na encruzilhada,
Cuja missão é apontar o caminho certo
- E depois ser abandonada...
Se o viandante não ultrapassar a seta,
Não cumpre o desejo da mesma.
Ai de mim se eu não for abandonado!
Se o vianjante parar diante de mim,
Contemplando a minha forma e cores,
Se, em vez de demandar
A invisível longinqüidade
Se enamorar da minha visível propinqüidade,
Não compreender a minha mensagem,
Que aponta para além de mim,
Rumo ao Infinito...
Ai de mim, se eu for espelho,
Perante o qual os homens parem
Para se contemplarem a si mesmos,
Em mortífero narcisismo!
Feliz de mim, se eu for janela aberta,
Que permita visão de horizontes longínquos,
Passagem franca para o Infinito!

Não sou mestre de ninguém,
Ninguém é discípulo meu!
Indico a todos o Mestre invisível,

Que habita na alma de cada um
E para além de todos os mundos.
Sinto-me feliz, quando o viajor,
Orientado pela legenda da minha seta,
Me abandona e vai em demanda
Da indigitada meta
Em espontânea liberdade,
Rumo à longínqua felicidade...

Huberto Rohden
Do livro: A Voz do Silêncio - Ed. Martin Claret

segunda-feira, 26 de outubro de 2009




"Tu és belo no céu... oh! Sol vivo!


Quando te levantas a leste

enches todas as terras com tua beleza,

porque és belo, és grande e brilhas acima da Terra.


Teus raios beijam os povos e tuas criações.


Tu és deus e nos seduziste a todos.


Tu nos impuseste os liames de teu amor,

e, ainda que longe, teus raios atingem a Terra

e, ainda que alto, teus passos marcam o dia.


Dás alento e fazes viver tudo o que criaste;

quando a criança nasce lhe dás a palavra

e crias tudo o de que ela precisa para viver.


E para terminar tuas obras, criaste as estações:

o frio no inverno e o calor no verão.

Criaste o céu longe e alto para por ele subir

e observar tua criação.

Vives mergulhado no teu brilho fulgurante,


oh Sol! Que te levantas

e que desapareces para voltar.


Bendito sejas tu, que sobes no céu

e que fazes brilhar o horizonte !


Bendito sejas tu, DEUS sublime da paz !


Sol, quando te levantas no céu em todas as manhãs

em tua beleza incomparável acima da Terra,

beijas com amor todos os povos que criaste.


Tu és Deus, tu és Rá !


Estás longe, mas teus raios fertilizam o sulco do arado

e germinam as plantas depois que beijas a terra.

Tu nos deste o inverno refrescante

e o verão que nos traz o fruto e a vida.


E os camponeses, que colhem os alimento dos homens,

levantam as mãos para ti...

rezam quando te levantas, ao deixares o leito noturno."



Poema ao Sol - Amenófis IV

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Pitágoras & Theano


Amor Paixão de Alma

O amor psíquico, o amor-paixão de alma, só entrou na literatura e nas consciências humanas há bem pouco tempo, mas já fazia parte dos ensinamentos filosóficos da Grécia antiga. Com efeito, na sua escola em Crótona, Pitágoras o ensinava às mulheres iniciadas, isto é, às que tinham atingido um alto nível de desenvolvimento místico. Ele lhes revelava a transfiguração do amor no casamento perfeito, que é a
penetração de duas almas no cerne da vida e da verdade", diz Édouard Schuré em “Os Grandes Iniciados". Se esse amor “de alma para alma" é exceção raríssima, sobre o qual a literatura pouco falou até o presente, é porque provém do segredo profundo dos místicos antigos.

“Quando dois seres conseguem se penetrar completamente, em corpo, alma e espírito, formam uma síntese do universo", explica Schuré. Assim, o homem que ama uma mulher com esse amor psíquico pode, “por sua vontade criativa, fecundar a alma da mulher amada e transformá-Ia", encarnando para ela o ideal do amor divino. E a mulher que ama um homem com o mesmo amor, envia-lhe sua imagem transfigurada pelo entusiasmo e se torna seu ideal”, pois o realiza pela força do amor em sua alma. Para ela, o amor “torna-se vivo e visível, faz-se carne e sangue. Pois, se o homem cria pelo desejo e pela vontade, a mulher gera física e espiritualmente, pelo amor".

Essa visão do papel espiritual da mulher no amor pode parecer um tanto "ultrapassada" nos dias de hoje. No entanto, apesar do fato de a sociedade atual querer fazer dela um duplo do homem, para melhor servir seus fins de produtividade e uniformização das tarefas, a mulher, “em seu papel de amante, esposa, companheira, mãe ou inspiradora, não é menos importante, e é mais divina ainda que o homem", prossegue Schuré.

Dentro de nossa sociedade de consumo, onde o amor sensual é um plano de carreira, as paixões profundas são ainda mais poderosas, já que são dificultadas pelas convenções mundanas e pelas instituições sociais. Daí os amores tempestuosos e as ruínas morais que são o apanágio dos dramas modernos. Ora,
só através da iniciação às grandes verdades é que o homem poderá encontrar Deus na mulher e a mulher, no homem, numa intensa busca do Divino dentro de si. "Quando a mulher e o homem tiverem encontrado a si mesmos e um ao outro, pelo amor profundo e pela iniciação, sua fusão será a força esplendorosa e criativa por excelência".

Pitágoras, o sábio de Samos, o iniciado aos mistérios antigos, o filósofo que ensinava o princípio dos Números e a evolução da alma e que desvendou muitos mistérios dos mundos visíveis e invisíveis, não conseguiu esquivar-se do amor profundo na maturidade. Eis a história, que resumimos, de um amor muito puro entre duas almas:

Entre as mulheres que seguiam o ensinamento de Pitágoras, havia uma de grande beleza, chamada Theano. Grave, reservada, fora buscar junto a esse grande mestre a explicação dos mistérios que ela amava estudar. Mas quando, à luz da verdade, sentiu sua alma se abrir “como a rosa mística de mil folhas, quando sentiu que essa eclosão vinha dele e de suas palavras, ela se enamorou silenciosamente por ele, com um entusiasmo sem limites e um amor apaixonado".

Pitágoras nada fizera para atrai-Ia, pois sua afeição pertencia a todos os seus discípulos. Ele pensava unicamente em sua escola, na Grécia, no futuro do mundo. "Como muitos dos grandes adeptos, ele renunciara às mulheres para se dar inteiro à sua obra. A magia de sua vontade, a influência espiritual sobre as muitas almas que tinha formado e que permaneciam ligadas a ele como a um pai adorado, o incenso místico de todos estes amores silenciosos que chegava até ele e o perfume extraordinário da simpatia humana que unia os irmãos pitagóricos - tudo isto fazia para ele as vezes de volúpia, felicidade e amor".

Mas um dia em que estava meditando sob uma árvore, viu aproximar-se dele Theano, grave e resoluta, com quem ele nunca havia conversado a sós. Ela se ajoelhou diante dele e, sem erguer a cabeça, suplicou que a libertasse "de um amor impossível e infeliz que consumia seu corpo e devorava sua alma. Pitágoras perguntou-lhe o nome do homem a quem ela amava. Após um longo momento de hesitação, ela confessou que era ele, mas que, disposta a tudo, se submeteria à sua vontade. Pitágoras não disse nada. Diante de seu silêncio, ela ergueu a cabeça e lançou-lhe um olhar suplicante de amor, "do qual escapava a seiva de uma vida e o perfume de uma alma oferecida em holocausto ao mestre".

"O sábio ficou abalado; os sentidos, ele sabia vencê-los; mas o brilho daquela alma havia penetrado a sua". Naquela mulher amadurecida pela paixão, transfigurada por uma dedicação absoluta, ele havia encontrado sua companheira e vislumbrado uma realização mais completa de sua obra. Ele a ergueu com um gesto comovido e ela pôde ler em seus olhos que seus destinos estavam unidos para sempre. Através de seu casamento com Theano, Pitágoras selou a realização de sua obra. A fusão de suas vidas foi completa.

A história diz ainda que Theano entrou tão completamente no pensamento de seu marido que, após sua morte, ela serviu de “centro” para a ordem pitagórica, e um autor grego cita sua opinião como sendo uma autoridade na doutrina dos Números. Ela deu à Pitágoras uma filha e dois filhos.
Theano é o modelo daquilo que há de mais divino no amor humano, pois, para poder "dar o melhor de si", é preciso primeiro esquecer-se de si.

“Quando a fusão é alta e nobre, o homem e a mulher que se unem encontram-se somente no fim de seu crescimento espiritual. Essa lei da união humana é a da união cósmica”, resume Teilhard de Chardin.

Osho



Livro: CORAGEM – O prazer de viver perigosamente

PREFÁCIO

Não chame de incerteza – chame de assombro.
Não chame de insegurança – chame de liberdade

Não estou aqui para dar a você um dogma –
o dogma faz com que se tenha certeza. Não estou aqui para dar a você nenhuma promessa para o futuro – nenhuma promessa para o futuro transmite segurança. Estou aqui simplesmente para deixá-lo alerta e consciente – isto é, para ficar aqui e agora, com toda a insegurança que existe na vida, com toda a incerteza que existe na vida, com todo o perigo que existe na vida.

Sei que você veio em busca de certeza, de algum doutrina, algum “ismo”, algum lugar ao qual pertencer, alguém em quem confiar. Você está aqui por causa do medo que sente.
Está procurando uma espécie de prisão bonita – de forma que possa viver sem nenhuma consciência.

Eu gostaria de fazer com que você se sentisse ainda mais inseguro, mais incerto – porque é assim que a vida é, é assim que Deus é. Quando há mais insegurança e mais perigo, o único jeito de reagir a isso é apelar para a consciência.

São duas as possibilidades. Ou você fecha os olhos e passa a ser dogmático, vira cristão, hindu, ou muçulmamo... e aí fica como se fosse um avetruz. Isso não muda a vida; é simplesmente fechar os olhos.
Simplesmente faz de você um estúpido, alguém sem inteligência. E nessa sua falta de inteligência, você se sente seguro – todo idiota se sente seguro. Na verdade, só os idiotas se sentem seguros. O homem que está verdadeiramente vivo sempre se sentirá inseguro. Que segurança pode existir?

A vida não é um processo mecânico; não pode ser predeterminada. Ela é um mistério imprevisível. Ninguém sabe o que acontecerá em seguida. Nem Deus, que você acha que mora em algum lugar no sétimo céu; nem mesmo ele – se estiver lá –, sabe o que vai acontecer!... porque, se ele sabe o que vai acontecer, então a vida é só tapeação, tudo é escrito de antemão. Como ele pode saber o que vai acontecer se o futuro está em aberto? Se Deus sabe o que vai acontecer daqui a pouco, então a vida é só um processo mecânico, morto. Então não existe liberdade, e como pode existir vida sem liberdade? Então não há possibilidade de crescer ou não crescer. Se tudo é predestinado, não existe glória nem grandeza. Você é apenas um robô.
Não, nada é seguro. Essa é minha mensagem. Nada pode ser seguro, porque uma vida segura seria pior do que a morte. Nada é certo. A vida é cheia de incertezas, cheia de surpresas – é aí que está a beleza dela! Você nunca chegará ao ponto em que poderá dizer, “Agora estou certo disso.”
Quando disser que está certo de alguma coisa, estará simplesmente declarando a própria morte; terá se suicidado.

A vida continua em marcha, com mil e uma incertezas. É aí que está a liberdade dela. Não chame a isso de insegurança.

Eu posso entender por que a mente chama a liberdade de “insegurança”... Você já ficou preso numa cela por alguns meses ou anos? Se já ficou numa cela por alguns anos, você sabe que, no dia de ser solto, o prisioneiro começa a sentir uma incerteza quanto ao futuro. Tudo era garantido na cela: tudo não passava de pura rotina. Ele tinha comida, tinha proteção, não tinha medo de ficar com fome no dia seguinte e de não haver comida – nada disso, tudo era certo. Agora, de repente, depois de muitos anos, o carcereiro vem e diza ele, “Agora você vai ser solto”. Ele começa a tremer. Fora dos muros da prisão, mais uma vez haverá incertezas; mais uma vez ele terá que buscar, procurar; mais uma vez terpa que viver em liberdade.

A liberdade dá medo. As pessoas falam sobre a liberdade, mas elas têm medo. E um homem não é homem ainda se ele tem medo da liberdade. Dou a você liberdade; não dou segurança. Dou a você entendimento; não dou conhecimento. O conhecimento lhe traz certezas. Se posso dar a você a fórmula, uma fórmula pronta, de que existe um Deus, existe um Espírito Santo e existe um filho bem-amado, Jesus; exise um inferno e um céu e existem boas ações e más ações; cometa um pecado e você irá para o inferno, pratique o que eu chamo de atos virtuosos e você irá para o céu – acabou! – então você tem certezas. É por isso que tantas pessoas optaram por ser cristãos, hindus, muçulmanos, jainistas – elas não querem liberdade, querem fórmulas fixas.

Um home estava morrendo – de repente, num acidente de estrada. Ninguém sabia que ele era judeu, então chamaram um padre, um padre católico. Ele se curvou bem próximo ao homem – e o homem estava morrendo, nos últimos estertores da morte – e disse:
- Você acredita na Trindade do Pai, do Filho e do Espírito Santoe em seu filho Jesus?
- Veja só! – respondeu o homem, abrindo os olhos – eu aqui morrendo e ele fazendo charadas!

Quando a morte bater à sua porta, todas as certezas serão simplesmente charadas e tolices. Não se apegue a nenhuma certeza. A vida é incerteza – sua própria natureza é incerta. E um homem inteligente nunca tem certeza de nada.

A própria disposição para permanecer na incerteza é coragem. A própria disposição para ficar na incerteza é confiança. A pessoa inteligente é aquela que está sempre alerta, não importa a situação –
e a enfrenta com todo o seu coração. Não que ela saiba o que vai acontecer, não que ela saiba, “Faça isso e acontecerá aquilo.” A vida não é uma ciência; não é uma cadeia de causas e efeitos. Aqueça a água a cem graus e ela evapora – isso é uma certeza. Mas na vida real, nada é certo como isso.

Cada pessoa é uma liberdade, uma liberdade desconhecida. É impossível predizer, impossível fazer conjecturas.
É preciso viver na consciência e no entendimento.

Você vem até mim em busca de conhecimento; quer fórmulas prontas para que possa se agarrar a elas. Eu não dou nenhuma. Na verdade, se você tiver alguma, eu a tiro de você! Pouco a pouco, destruo sua certeza; pouco a pouco, faço com que fique cada vez mais hesitante; pouco a pouco, deixo-o cada vez mais inseguro. Essa é a única coisa que tem de ser feita. Essa é a única coisa que um Mestre precisa fazer! – deixá-lo em total liberdade. Em total liberdade, com todas as possibilidades em aberto, com nada pré-fixado... você terá que ficar consciente – não existe outra possibilidade.

Isso é o que eu chamo de entendimento.
Se você entender isso, a insegurança passa a ser uma parte intrínseca da vida – e é bom que seja assim, porque faz da vida uma liberdade, faz da vida uma contínua surpresa. Nunca se sabe o que vai acontecer. Isso faz com que você viva em constante assombro. Não chame de incerteza – chame de assombro. Não chame de insegurança – chame de liberdade.


O QUE É CORAGEM?

De início, não existe muita diferença entre o covarde e o corajoso. A única diferença é que o covarde dá ouvidos aos seus medos e os segue, enquanto o corajoso os põe de lado e segue em frente. O corajoso enfrenta o desconhecido apesar de todos os medos.

Coragem significa enfrentar o desconhecido apesar de todos os medos.
Coragem não significa ausência de medo. A ausência de medo acontece se você passa a ser cada mais corajoso. Essa é a experiência máxima de coragem – a ausência de medo: é esse o sabor quando a coragem tornou-se absoluta. Mas, de início, não há muita diferença entre o covarde e o corajoso. A única diferença é que o covarde dá ouvidos aos seus medos e os segue, enquanto o corajoso os põe de lado e segue em frente. O corajoso enfrenta o desconhecido apesar de todos os medos. Ele conhece os medos, eles estão ali.

Quando você explora mares desconhecidos, como Colombo fez, o medo existe, um medo imenso, porque ninguém sabe o que vai acontecer. Você está deixando a praia da segurança. Você está perfeitamente bem, em certo sentido; só uma coisa está faltando – aventura. Enfrentar o desconhecido dá a você certa excitação. O coração começa a pulsar novamente; volta a se sentir vivo, totalmente vivo. Cada fibra do seu ser está vibrando porque você aceitou o desafio do desconhecido.

Aceitar o desafio do desconhecido, apesar de todo o medo, é coragem. Os medos estão ali, mas se você aceita o desafio várias vezes seguidas, devagarinho os medos desaparecem. A experiência de alegria que o desconhecido traz, o grande êxtase que começa a acontecer com o desconhecido, torna você forte o bastante, lhe dá uma certa integridade, aguça sua inteligência. Pela primeira vez, você começa a sentir que a vida não é só um tédio, mas uma aventura. Então devagar os medos desaparecem; e aí você não pára mais de ir atrás de uma aventura.

Mas, basicamente, coragem é pôr em risco o conhecido em favor do desconhecido, o familiar em favor do estranho, o confortável em favor do desconfortável – árdua peregrinação rumo a algum destino desconhecido. Nunca se sabe se você será capaz de fazer isso ou não. É um jogo arriscado, mas só os jogadores sabem o que é a vida.


O TAO DA CORAGEM

A vida não dá ouvidos à nossa lógica; ela segue à sua própria moda, imperturbável. Você tem de ouvir a vida; a vida não ouvirá a sua lógica, ela não se incomoda com ela.

Enquanto segue pela vida, o que você vê? Cai uma grande tempestade e árvores frondosas vêm abaixo. De acordo com Charles Darwin, elas deveriam sobreviver, pois são as mais qualificadas, as mais fortes, as mais poderosas. Olhem para uma árvore antiga, 90 metros de altura, 300 anos de idade. Só a presença da árvore já transmite força, um sentimento de força e poder. Milhões de raízes espalhadas dentro da terra, nas profundezas, e a árvore mantém-se firme em seu poder. Claro que a árvore luta – ela não quer sucumbir, se render – mas, depois da tempestade, ela caiu, está morta, não tem mais vida, e toda a força se foi.
A tempestade foi além da conta – as tempestades sempre são além da conta, porque a tempestade vem do todo e a árvore é a apenas um indivíduo.

Então há o mato e o capim – quando a tempestade cai, o capim cresce e a tempestade não pode causar nenhum dano a ele. No máximo pode lhe fazer uma boa limpeza, isso é tudo; toda a sujeira que se acumulara é levada. A tempestade lhe dá um bom banho e, quando se vai, o mato e o capim estão novamene dançando felizes. O capim quase não tem raízes, pode ser arrancado por uma criança pequena, mas a tempestade foi vencida. O que aconteceu?

O capim seguiu o caminho do Tao, o caminho de Lao-Tsé. E a árvore frondosa seguiu Charles Darwin. A árvore frondosa era muito lógica: tentou resistir, tentou mostrar sua força. Se você tentar mostrar sua força, será vencido. Todos os Hitlers, todos os Napoleões, todos os Alexandres são árvores frondosas, árvores fortes. Eles todos foram vencidos. Lao-Tsé é assim como o mato: ninguém pode vencê-lo porque ele está sempre pronto para se render. Como você pode vencer uma pessoa que se rende, que diz, “Já fui derrotado”, que diz, “Senhor, goze sua vitória, não há por que causar nenhum problema. Fui derrotado”. Até um Alexandre se sentiria fútil diante de um Lao-Tsé; ele não pode fazer nada.

É o seu medo que faz de você um escravo – é o seu medo. Quando você não tem medo, deixa de ser um escravo; na verdade, é o seu medo que o força a fazer os outros de escravos antes que eles possam escravizá-lo.

O homem que é destemido nem tem medo de ninguém, nem faz com que ninguém tenha medo dele. O medo desaparece totalmente.