quinta-feira, 3 de novembro de 2011






"Uma minhoca não voa e se ela vê uma águia voando nas alturas, acha uma bobagem.

Quem é minhoca, não pode compreender a liberdade de ser águia, prefere continuar rastejando, comendo húmus por debaixo da terra da sua ignorância. 

Mas, quem já não é minhoca e já tem consciência espiritual de águia, não se contenta com uma vida debaixo da terra, quer alçar vôo à luz do sol. Isso é uma questão de desenvolver a consciência. 

A nossa evolução vai a espaços mínimos em espaços máximos. Precisamos muito tempo para dar um passo na evolução ascensional. 

Rastejar na horizontal é fácil por que isso não exige esforço nenhum. Deixar-se cair para baixo ainda é mais fácil. Involução é para baixo, estagnação é na horizontal e evolução é na vertical. Temos apenas estas três possibilidades."


 H.R.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Huberto Rohden (Cosmorama)





HOMEM REALMENTE ESPIRITUAL

É bem assim o homem realmente espiritual: Não é um homem pacatamente virtuoso, uma alma dogmaticamente mansa e domesticada para encampar docilmente as crenças tradicionais. 

O homem integralmente espiritual é um intrépido aventureiro dos mundos ignotos, um genial sonhador do infinito, uma alma empolgada pela dinâmica inquietude metafísica dos insatisfeitos, dos insaciáveis, dos descontentes com o que “todos” sabem e fascinado pelo que todos ignoram... 

O homem espiritual, surdo aos barulhos da turba-multa dos profanos e às teses dos catedráticos, escuta intensamente vozes do grande silêncio que principia além de todos os ruídos estéreis. E o que esse silêncio anônimo lhe sugere é mais sedutor do que tudo o quanto os discursos e os sermões dos sabidos e afamados possam lhe dizer. 



Amônio Saccas..





E ele diz-lhes: "De quem é esta efígie e esta inscrição?"
Dizem-lhe eles: "De César. Então ele lhes disse: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus."
Mestre Jesus, o Cristo (Mateus 22:20-21)

Quem são "César" e "Deus" na frase crística acima? Simplesmente as duas faces básicas dessa entidade paradoxal, que o ser humano apresenta, aglutinando indivíduos de diversas etapas evolutivas, ao longo de milhares de anos.

César e Deus estão dentro de cada homem. Essencialmente, dar "a César o que é de César" significa atender as necessidades da forma material, a fim de que possa abrigar o Ser Crístico, num processo cada vez mais profundo de despertar, de autoconhecimento.

Prosperidade material não é crime, se licitamente construída, e especialmente se sabiamente administrada.

Nosso grande conflito é justamente fazer a primeira parte, mas não a segunda, dar "a Deus o que é de Deus", tornando a vida uma insaciável busca de prazer e bens terrenos.

Sendo nossa natureza essencialmente divina, toda experiência pode ser no fim um "aprendizado de Deus" em nós mesmos, se estivermos despertos.

Somos Almas vivendo uma experiência material", e não o contrário


"A Luz brilha nas trevas, mas as trevas não a reconhecem. Em nós e no mundo reinam duas naturezas opostas. "

Não é a crença, a fé ou o simples conhecimento o que importa. O fundamental é a comunhão interior, o religar da Mente individual com a Mente universal, a capacidade do homem "transcender os limites da dualidade que faz dele homem e tornar-se uma consciência divina".

Este é o "Caminho para a Montanha" ou para o Olimpo e "a ignorân­cia de Deus é o verdadeiro ateísmo".

Despertar do sono e da ignorância de Deus, da embriaguez do mundo para a temperança virtuosa. Pois o mal (ilusão) do não conhecimento está inundando toda a terra e trazendo total ruína à alma aprisionada dentro do corpo, impedindo-a de navegar para os portos da salvação.

Amônio Saccas..




Mestre Jesus, o Cristo, começa com o sofrimento psíquico antecipado no Getsêmani, onde ele se sente terrivelmente solitário e sem o apoio de seus discípulos. No desenrolar dos acontecimentos, segue-se a traição de um discípulo e a fuga dos outros quando se sentem ameaçados.

Cristo é escarnecido e insultado pela multidão enfurecida, representando as paixões dos homens que sempre zombam da natureza divina.

Depois ele é açoitado e espancado pelos soldados, que são os condicionamentos da natureza inferior que seguem as ordens de nosso inconsciente, sempre preocupado com a manutenção do status quo de nossa vida mundana.

O julgamento é feito por Pilatos, o governante da ordem exterior, que simboliza a personalidade. Mestre Jesus é devidamente apresentado como aquele que procura subverter a nação e, quando interrogado por Pilatos, confirma que é o Cristo, rei da natureza humana.

A personalidade, ao lavar as mãos, procura, como sempre, justificar-se alegando não ter culpa por condenar um inocente, pois está atendendo ao clamor da plebe (as paixões) e à recomendação dos sacerdotes, os líderes da natureza inferior, que representam o egoísmo, a ignorância, o orgulho e a ambição.

Seguindo a tradição, Pilatos pergunta ao povo se prefere a libertação de Jesus ou do criminoso Barrabás.

As paixões pedem a crucificação da natureza divina e a libertação do criminoso com o qual, em sua ignorância, identificam-se. Porém, Barrabás significa, em aramaico, o filho do pai. Portanto, a natureza inferior, mesmo com a conivência da personalidade, jamais conseguirá matar o Cristo.

Ao exigir a libertação do usurpador Barrabás, estará simplesmente permitindo que o filho do Pai celestial, que é a alma ignorante de sua verdadeira natureza, continue a vagar pelo mundo até redimir-se de todos seus crimes contra a grande Lei para, então, retornar à casa paterna como o Cristo triunfante.

O relato da paixão de Jesus representa a via crucis de todos os que passam pela quarta iniciação: devem morrer para o mundo para alcançar a consciência permanente do Reino de Deus, a consciência da vida eterna. O Irmão Paulo descreve essa experiência: “Fui crucificado junto com Cristo. Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2:19-20).

É interessante notar que a crucificação tem lugar no monte Gólgota, ou calvário, que significa a caveira.

A culminação dessa importante iniciação ocorre mais uma vez num monte, uma clara indicação de um estado elevado de consciência.

O Golgota representa o crânio humano, o lugar físico onde a consciência divina é crucificada. Jesus, expressando a consciência divina, é crucificado entre dois malfeitores, um dos quais seria o bom ladrão (Lc 23:39-43).

Os dois ladrões simbolizam os dois aspectos da mente, um dos quais se volta para o alto e segue o Salvador rumo ao Reino dos Céus.

O túmulo na rocha no qual Jesus teria sido enterrado é também outra representação de que o Cristo espiritual é enterrado no plano mais denso da manifestação, o plano físico, de onde só é libertado após cumprir sua missão terrena.

É dito no Credo dos Apóstolos que, após a morte, Jesus “desceu ao inferno e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos.” Na Bíblia é dito que: “Morto na carne, foi vivificado no espírito, no qual foi também pregar aos espíritos em prisão” (1 Pd 3:19).

Para os antigos o inferno não tinha a conotação de tormento eterno estabelecida mais tarde pela igreja. O inferno era tido como uma região ou lugar oculto, o Hades dos gregos, enfim, um submundo habitado pelas pessoas que deixavam o corpo físico para trás. Essa passagem pode ser interpretada de duas formas: uma psicológica e outra esotérica.

A conotação psicológica é que o iniciado só pode alcançar a libertação quando desce ao inferno de seu inconsciente e liberta seu lado sombra. Ele só pode ser livre quando não existirem mais condicionamentos inconscientes em sua natureza inferior.

A interpretação esotérica é que todo iniciado deve descer ao mundo astral e levar a luz e a esperança para as almas atormentadas pelo remorso dos erros cometidos quando encarnadas no mundo.

A morte e a ressurreição do Cristo representam alegoricamente a quarta iniciação. O que morre não é o corpo físico, mas o sentido pessoal de separatividade.

O que ressurge dos mortos é a alma agora consciente da unidade com o Todo e com todos os seres. A partir desse momento a alma pode deixar o sepulcro terreno, que é o corpo físico, sem nenhum lapso de consciência e entrar nas regiões superiores do mundo celestial.

A vivência da unidade confere ao iniciado uma profunda compaixão. 

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O Grande Homem



Quem faz jus ao título de "grande homem"?
Não sei...

O homem inteligente? 
Não basta ter inteligência para ser grande...

O homem poderoso? 
Há poderosos mesquinhos...

O homem religioso? 
Não basta qualquer forma de religião...

Podem todos esses homens possuir muita inteligência, muito poder, e muita religiosidade - e nem por isso são grandes homens.
Pode ser que lhes falte certo vigor e largueza, certa profundidade e plenitude, indispensáveis à verdadeira grandeza.
Podem os inteligentes, os poderosos, os virtuosos não ter a verdadeira liberdade de espírito...
Pode ser que as suas boas qualidades não tenham essa vasta e leve espontaneidade que caracteriza todas as coisas grandes.
Pode ser que a sua perfeição venha mesclada de um quê de acanhado e tímido, com algo de teatral e violento.
O grande homem é silenciosamente bom...
É genial - mas não exibe gênio... 
É poderoso - mas não ostenta poder... 
Socorre a todos - sem precipitação... 
É puro - mas não vocifera contra os impuros...
Adora o que é sagrado - mas sem fanatismo...
Carrega fardos pesados - com leveza e sem gemido... 
Domina - mas dem insolência... 
É humilde - mas sem servilismo... 
Fala a grandes distâncias - sem gritar...
Ama - sem se oferecer... 
Faz bem a todos - antes que se perceba...

"Não quebra a cana fendida, nem apaga a mecha fumegante - nem se ouve o seu clamor nas ruas..."
Rasga caminhos novos - sem esmagar ninguém... 
Abre largos espaços - sem arrombar portas... 
Entra no coração humano - sem saber como...

Tudo isso faz o grande homem, porque é como o Sol - esse astro assaz poderoso para sustentar um sistema planetário, e assaz delicado para beijar uma pétala de flor...
Assim é, e assim age o homem verdadeiramente bom - porque é instrumento nas mãos de Deus...
Desse Deus de infinita potência - e de supremo amor...
 
Desse Deus cuja força governa a imensidade do cosmos - e cuja preciência sabe das fraquezas do homem...

O grande homem é, mais do que ninguém, imagem e semelhança de Deus...
Huberto Rodhen

sábado, 29 de outubro de 2011

Casamento Alquímico



Duas partes complementares, separadas da unidade, trilham um conhecimento subconsciente do relacionamento anterior e procuram restabelecer a união.

Aprendemos dai que fundamental e unicamente do ponto de vista metafísico e alquímico, existe uma outra e verdadeira metade complementar para cada ser vivo.
Esta noção, entendida de maneira generalizada e errônea, levou a crença popular na existência de urna afinidade para cada ser humano, bem como uma afinidade química para cada um dos elementos naturais.

Se encararmos o casamento como a união por uma lei ou principio alquímico natural de duas partes separadas, mas simpáticas e complementares de uma unidade pré-determinada, podemos concluir por tais condições que o matrimônio e o estado ideal. Na verdade, e o único estado em que dois seres encontram o grau de manifestação perfeita decretada por Deus e pela natureza.

Estes são os princípios, mas diferentemente das manifestações que ocorrem naturalmente no mundo químico ou elemental, entre os humanos existem interferências causada pela insistência intencional do homem em suplantar a mente Cósmica ou espiritual com sua própria mente.

No casamento entre dois seres complementares ele não hesita em exercer sua 
vontade, seu arbítrio, a um grau que seria considerado sacrílego para o alquimista. 

O homem desenvolveu a idéia de que e capaz de interpretar as varias emoções de seu ser e decidir quais as atrações naturais, alquímicas, puras e quais são atrações passageiras...

Ele interpreta as ilusões, impressões e emoções transitórias como sendo o grito cósmico, permanente, apropriado, de um ser separado a chamar sua contraparte.

Os químicos sabem que os elementos da natureza que não estão unidos a suas partes complementares não podem ser forçados a uma combinação não natural, não simpática ou não harmônica com outros elementos.

Os biólogos sabem que a união de dois elementos não harmônicos e não simpáticos ira manifestar um produto desarmônico, sub-normal ou anormal muito distanciado da criação perfeita representada pela terceira ponta do triângulo.

Infelizmente, este fato, conhecido dos químicos e biólogos, e tão perfeitamente compreendido pelos místicos, não e aceito nem levado em consideração pelo homem e pela mulher comum.

Fala-se levianamente que os casamentos são feitos no céu, o que perfeitamente correto do ponto de vista alquímico. Do ponto de vista do biólogo e do químico e um principio bem fundamentado. Mas não se aplica no caso de pessoas unidas por uma decisão arbitrária e pela obstinada e ignorante má aplicação da lei natural. 

0 verdadeiro matrimonio entre dois seres humanos só pode resultar de um estudo cuidadoso de suas características e elementos naturais.

Para um verdadeiro casamento alquímico, e portanto uma união Cósmica natural, a essência divina de cada um deve se unir a do outro por atração natural, antes que seus corpos possam se unir adequadamente.

Nas antigas cerimônias místicas, o rito matrimonial físico jamais era realizado enquanto as dois "Eus" interiores não tiverem encontrado a perfeita união, a sublime harmonização.

A Cerimônia do casamento físico era realizada com o único fim de obedecer costumes éticos, legais ou religiosos da terra, e era considerada apenas uma formula a ser completada após a união natural espiritual.

Com a passar do tempo, a cerimônia espiritual, o processo alquímico do matrimônio, passou a ser ignorado.

Fórmulas criadas pelo homem aumentaram a ponto de levá-lo a acreditar que ele não só decretava ser o casamento físico apropriado, completo e de acordo com a lei natural, mas também, de alguma forma, forçava a natureza a sancionar e sintetizar o casamento espiritual que deveria ter ocorrido anteriormente.

Em alguns casos, tais matrimônios são perfeitos pelo casamento natural da essência da alma ter ocorrido muito antes do casamento físico.

Nestes casos, o casamento físico e apenas o resultado de algo experimentado interiormente e de forma divina.

Na maioria das vezes, entretanto, o casamento físico ocorre sem que antes ocorra a União das ALMAS, o casamento no sentido espiritual ou alquímico e impossível, pela falta de harmonização entre duas pessoas unidas desta forma.

Em tais uniões, não há uma fusão de duas naturezas simpáticas, não há atração alquímica ou Cósmica, apenas uma atração química, física e transitória.

As coisas mortais modificam-se constantemente, e mais cedo ou mais tarde os cônjuges percebem que não estão adequadamente combinados, mesmo nas minúsculas formas do mundo material químico, os elementos erroneamente unidos sempre vibram de forma desarmônica e acabam por desfazer a união.

Não e de surpreender, portanto, que homens e mulheres unidos de maneira 
incorreta procurem livrar-se, não só exteriormente, mas também através de sua essência da alma e natureza divina, das estreitas limitações a que foram forçados. 

A separação, o divórcio será inevitável enquanto o homem arbitrariamente dirigir a união da sua natureza com outra.